Artigo: Inovação Próspera

Por Rui Luiz Gonçalves*

Um dos grandes gargalos que impedem o crescimento maior da inovação como matriz econômica do Brasil é o distanciamento das empresas das universidades e instituições de pesquisa. É preciso promover e desenvolver ações estruturantes para que possamos desatar estes nós que ainda dificultam esta aproximação.

Grande parte dos nossos mestres e doutores no Brasil, assim que qualificados, são incentivados a seguirem suas pesquisas no ambiente acadêmico ou no setor público, principalmente por conta dos bons salários que o funcionalismo público oferece e pela falta de uma cultura de pesquisa nas empresas. É preciso entender e criar mecanismos para que essa legião de pesquisadores possa contribuir com o desenvolvimento tecnológico e, principalmente, com a cultura da inovação junto a empresas de base tecnológica e de segmentos inovadores da indústria tradicional.

Precisamos tornar simbiótica esta relação universidade empresa, pois somente assim poderemos garantir a sobrevivência de ambas: os bancos acadêmicos se manterem atuais na sua função de ensinar e pesquisar e as empresas terem a inovação como centro de sua atuação.

Entidades associativistas têm a função essencial de incentivar e estimular a inovação de forma aberta. Precisamos ser um grande muro de lamentações de todos os atores deste universo: a indústria tradicional, apresentando suas demandas de inovação, as empresas de base tecnológica, alinhando seus produtos às necessidades do mercado, e as universidades, como agentes de pesquisa e berço do empreendedorismo inovador, trazendo soluções aos problemas da sociedade e das empresas.

Ações, de forma organizada e com a interação direta com o ambiente acadêmico e científico, irão representar, em pouco tempo, um grande salto econômico e social para todos que estiverem envolvidos. No caminho da inovação, unidas, buscando a aproximação com seus mercados alvos e a aproximação das universidades, as empresas catarinenses irão rumar para um futuro ainda mais próspero – e inovador, é claro. Um bom começo, um modelo de associativismo inovador.

* Rui Luiz Gonçalves é presidente da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE)

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