15/12/2020

Afinal, o que é ser “fluente em tecnologia”?

Afinal, o que é ser “fluente em tecnologia”?

 

Para um desavisado como eu, talvez a noção de “Fluentes em Tecnologia”, embutida na marca da Dialetto, possa soar como um conhecimento pouco alcançável, coisa de desenvolvedores e profissionais muito envolvidos da área. Há, contudo, um significado diametralmente oposto a este ao pensarmos nessa dita fluência como uma forma de saber – e, como tal, algo difundido socialmente, mesmo que de maneira imperceptível.

A ideia de o conhecimento ser algo incorporado ao cotidiano não é nova. Em 1969, o filósofo francês Michel Foucault fez um longo tratado sobre em “A Arqueologia do Saber”, no qual se propôs a pensar a estruturação daquilo que seria o conhecimento ou a sabedoria nas sociedades ocidentais. O estudo propõe algo interessante: há uma “hierarquia do saber”, ou seja, algumas habilidades e conhecimentos que são consideradas superiores às outras.

Por exemplo: saber um segundo idioma é uma forma de conhecimento nobre, enquanto entender como se levanta uma parede de tijolos ou conhecer maneiras de tirar manchas de óleo em roupas pode parar como coisa menor, cotidiana, vulgar. Certo, mas o que isso tem a ver com fluência, tecnologia e ser “fluentes em tecnologia”?

 

Fluência que se dá na vivência

 

Fluência é um nível de conhecimento tão extenso de determinada linguagem que ela flui (as palavras não são parecidas por acaso) naturalmente. Um fluente em inglês, ao ir para os EUA, não terá que pensar ou processar cada frase antes de dizê-la ou entendê-la – a tradução vem natural, direta, incorporada como conhecimento.

Quando a Dialetto repensou seu posicionamento de marca há um ano, havia o desafio de se pensar um novo contexto do trabalho da comunicação com a tecnologia. Se no início dos anos 2000 os profissionais da área focavam essencialmente em seus produtos, os tempos atuais exigem uma relação mais efetiva desse produto com o contexto no qual estão inseridos. Era preciso, portanto, fazer essa passagem: ter posse da ideia do cliente, traduzi-lo como um material à comunicação e transmiti-lo ao amplo público, formado, em boa parte, por quem está distante do criador da ideia.

Surgiu, assim, a fluência. Afinal, estar situado entre os dois polos e fazê-los interagir com um release, uma sugestão de pauta, um texto para blog, um artigo, etc., só é possível por quem detém conhecimentos que possibilitem a passagem da ideia rebuscada, técnica, para o cotidiano. Fluência é, antes de tudo, repertório, ter ao alcance conhecimentos suficientes para trabalhá-los de forma clara e distinta. Dominar o conhecimento é saber adaptá-lo a cada público, como fazemos no inbound marketing e na assessoria de imprensa.

Ter fluência é saber conversar com propriedade entre diferentes pares – não é por acaso, portanto, que a linguagem relacionada ao “fluentes em tecnologia” está intrínseca também à própria noção de “dialeto”, um conjunto de marcas linguísticas que se estabelece em determinada comunidade, em determinado espaço, mas acessível a quem quiser emergir em seu contexto.

 

A tecnologia nossa de cada dia

 

Essa relação íntima proposta na ideia de fluência tem respaldo ainda no propósito da Dialetto: “Acreditamos no poder transformador da tecnologia”. A tecnologia pode ser técnica em sua origem, mas humana em seu fim; ela não existe por si só, precisa da interação com um sujeito para que sua finalidade realmente se complete.

Há alguns meses, ao trabalhar em uma pauta sobre tecnologia para condomínios, entrevistei uma senhora de 80 anos. Advogada aposentada, para ela o celular tinha até então meras funções de comunicação, até que um dia ela precisou entender o que era um QR Code para acessar a portaria remota de seu prédio. Em resumo, a tecnologia passou a fazer parte diretamente de sua vida, necessária para que entrasse em sua casa.

Se para algumas pessoas parece simples entender o funcionamento de um leitor de QR Code, não foi para a senhora de 80 anos. Mas o susto inicial deu lugar ao entusiasmo: hoje, ela reconhece que é muito mais prático, seguro e de fácil utilização. “Estamos o tempo todo com o celular né”, me disse.

Esse exemplo é bem significativo em como a tecnologia está em nosso cotidiano e o transforma. Mesmo sem saber, é um conhecimento incorporado à nossa rotina, com aplicativos de mobilidade ou alimentação, com TVs por streaming, com cartões de crédito. Nem é preciso pensar metodicamente para usar tais soluções, elas são intrínsecas a nós.

O movimento da Dialetto em ser “fluente em tecnologia” responde a isso. Não é preciso entender a fundo tal solução, basta saber como ela nos atende diariamente para incorporá-la como coisa nossa, rotineira. Fazer essa passagem entre o que é supostamente complexo e torná-lo entendível, como conhecimento adquirido, é o que se espera de quem se diz dotado de fluência – e é o que fazemos extraindo informações em sua origem e traduzindo-as para múltiplos públicos, seja o jornalista na redação ou seu público consumidor.

 

Crédito de imagem: PopTika


Edson Burg

Sobre o autor

Edson Burg

Analista de Comunicação

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